Fundamentação acadêmica · convergência declarada

Língua nativa como ponte: a língua de resgate e a translinguagem

Alinhamento teórico: prática que encontra apoio em literatura existente. Esses diálogos não significam equivalência conceitual, nem implicam que os termos operacionais da FalaMandra sejam sinônimos dos conceitos dessas tradições.

Handbook §5 — O que é autoral e o que dialoga com teorias existentes

Por Janaina Pizolotto·Com Nasser Michel Umar·Revisão pedagógica: Nasser Michel Umar·Baseado no Handbook v2.1 (18/08/2026)·Atualizado em

Usar a língua nativa na aula é aceito pela pesquisa?

Hoje, amplamente. A translinguagem — desenvolvida por Ofelia García e Li Wei — sustenta que o falante bilíngue não tem duas línguas separadas, mas um repertório único do qual seleciona recursos conforme a situação; a língua de casa é recurso, não deficiência, e o ensino que a proíbe empobrece a aprendizagem. O método FalaMandra chega a uma posição próxima pela prática: a língua nativa é ponte pedagógica em todos os níveis (§14.2).

O que o método faz

A língua nativa não é inimiga; é um recurso cognitivo e emocional. Seu uso varia por nível: amplo no A0 Real, breve e cirúrgico quando o aluno sustenta interação no idioma-alvo (§4.6, §14.4). Oito usos legítimos (§14.3); regra de retorno — toda intervenção na língua de resgate leva a uma ação no idioma-alvo (§14.5); insistência gentil quando o uso vira padrão (§14.8); proibição de proibir a língua nativa no A0 e de traduzir tudo automaticamente (§14.7). Palavras transparentes não são traduzidas, e a tutora pode ensinar o mecanismo das raízes latinas compartilhadas como multiplicador de autonomia (§15.2–15.3a). O próprio Handbook cita a translinguagem entre as tradições com as quais dialoga (§5).

O que a literatura diz

García e Li Wei (2014) definem translanguaging como o uso do repertório linguístico completo do falante, sem respeitar as fronteiras socialmente definidas entre línguas nomeadas; como pedagogia, propõe que professores planejem espaços em que os alunos usem todo o repertório para dar sentido e produzir. Em trabalho posterior (2022), os autores reforçam a dimensão crítica e decolonial: não há “primeira língua” e “segunda”, há um repertório. No Brasil, essa perspectiva sustenta pesquisas sobre bilinguismo, línguas em contato e ensino em contextos multilíngues — a linha do grupo Atlas das Línguas em Contato na Fronteira (UFFS), do qual Janaina Pizolotto faz parte, e o tema de sua pesquisa de doutorado sobre translinguagem e inteligência artificial.

Onde converge — e onde a FalaMandra vai por conta própria

Mandra, a tutora da FalaMandra

Como isso aparece na Mandra

No zero, a Mandra ensina em português e entrega o idioma-alvo em peças; de A2 para cima, tenta primeiro em inglês ou francês; em B2, praticamente nunca usa português. Se o aluno responde em português, ela aceita, usa como ponte de uma linha e convida de volta ao idioma-alvo — sem proibir, sem repreender.

Perguntas frequentes

Translinguagem quer dizer misturar as línguas na aula?

Quer dizer reconhecer que o falante usa um repertório só e planejar o ensino com isso. Na FalaMandra, a mistura é aceita e usada como ponte; o convite de volta ao idioma-alvo é a diferença declarada em relação à translinguagem crítica.

A Janaina pesquisa isso?

Sim: sua pesquisa de doutorado na UFFS, com bolsa FAPESC, investiga translinguagem e inteligência artificial no desenvolvimento das competências linguísticas de estudantes brasileiros. O que ela aprende nesse processo informa o método com a disciplina de evidência do Handbook.

Termos relacionados

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Fontes